sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pisada em Trânsito

Como disse, corri as 10 milhas (16Km) Mizuno( 25/07) com sapatilha simples, a mesma dos treinos, um tipo de luva dos pés, cuja função é somente protegê-los. Quando mudamos a forma de correr, tudo muda no corpo. Pisar iniciando o passo com a polpa do pé e aterrizar com o calcanhar, eis a transformação radical no correr. É outra aerodinâmica. Demorei a regular (às vezes ainda me desconecto e então a antiga pisada  me toma) , mas sinto que não tem retorno, apesar do que constato... Constatei que assim estou correndo mais devagar. É mais completo em termos de sensações, senti-me melhor, mais inteiro, coordenado, porém fiquei surpreso com o tempo de 1:36, 10 minutos a mais do que o tempo  nas 10 milhas do Circuito Athenas, oito dias antes, quando fiz em 1:26, com meu "velho" Nike, de amortecimento mediano. Pensei muito no que houve - e está havendo.
Não é fácil mudar algo tão enraizado no corpo. Diz-se que a forma de correr com o apoio da pisada
iniciada no calcanhar é coisa do advento do tênis, destacadamente a partir do início da década de 1970. Antes, corria-se descalço ou com solado minimo. Lembro-me de na infância, em Aguiar, no quente sertão paraibano, passar horas andando ou correndo de havaianas nas maõs e pés descalços por caminhos de chão batido.. A sensação era de presença na terra, no solo; de vento (ou sem vento) e do sol. Mas, sinceramente, não lembro se corria pisando primeiro o calcanhar ou se a metade da frente do pé.
Sei que nas 10 milhas Mizuno corri mais devagar, só que com mais soltura, brincando, cantarolando durante
trechos. As panturrilhas doiam uma dor compacta que me dizia da necessidade de fortaleçer as pernas. O quadril, hora muito prá frente ou o inverso; os joelhos procurava mantê-los um pouco fletidos e, com isso, a dor embaixo da patela direita dissipava à medida que avançava no percurso, até desaparecer.
Interessante, pois na outra corrida, oito dias após, essa dor diminuiu mas não sumiu. Verdade que corri mais rápido e várias vezes me peguei pisando primeiro com o calcanhar. Contudo, sentia incômodos, um corpo desajeitado, o joelho sempre insinuando leve ardência (tendinite patelar?), desconexão clara entre respiração e abdômen. E muito mais esforço. Correr sempre mais rápido não é meu primeiro objetivo e sim correr com estilo próprio, mais ainda, com prazer, "na esportiva", como se dizia outrora.
Vou continuar com os calçados de solado mínimo. Darei de presente meus tênis de amortecedores
bonitos e ficarei, por enquanto, treinando com minha sapatilha ( da Okeon)  e um razoável Adidas Adizero Pro ( saído já de linha) com amortecimento fininho. Isso de correr assim e assim calçado tem me dado uma vontade danada de andar descalço na relva ou na selva. Disse andar e não correr descalço.
Correr descalço? ...Esse assunto vai longe.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Correr : como? - Com que calçado?

Faz tempo que não me visito aqui. Não significa desligamento deste lugar. È porque resolvi só dizer aqui coisas reveladas pela prática. Por isso demorei a postar algo.

Faz meses que ando a ruminar sobre o como correr da melhor forma, cujos resultados mostrem melhoras na resistência e velocidade, com o mínimo de lesões ou, melhor, sem lesões. Porque lesões são, atualmente, ocorrências corriqueiras e fartas entre corredores, amadores ou profissionais e mais ainda entre os que só ocasionalmente correm. Eu corro em busca de bem-estar e faço auto observações durantes treinos e provas(nestas, havendo momentos especiais).

Como disse, corro há um ano e meio.(houve um intervalo de 45 dias sem treinos). Desde o início, duas lesões sempre me incomodam; não me tiram das corridas/treinos, mas incomodam; às vezes pela ardência, outras por moderada e persistente dor.  Uma é no calcanhar esquerdo, próxima ao tendão de Aquiles; outra, que arde, no joelho direito. Eu as  trato com procedimentos naturais, tipo acupuntura, contraste de água quente/fria, massagens, etc. Comecei a buscar informações sobre o assunto e vi que, na internet, por vários sites, corre uma boa polêmica sobre a funcionalidade do tênis com amortecedores entre os que correm. As oposições são radicais às vezes. De um lado uma minoria mínima mesmo, convicta de que a invenção do tênis trouxe um leque de lesões, cujas ocorrências praticamente não havia até a sua industrialização. Que os grandes corredores, velocistas ou maratonistas, sempre correram com calçado mínimo, sem amortecedores na sola. Que estes gradualmente modificaram a forma como as pessoas corriam e a pisada, com os calcanhares absorvendo o primeiro impacto do corpo no chão, passou a ganhar ênfase e, pior, segundo os Corredores de Pés Descalços e os de Pés Quase Descaços, passou a ser recomendação médica. Daí a profusão de amortecedores e tipos de tênis - afirmam. Do outro lado, o da imensa maioria, estão os que defendem o tênis como fruto da evolução tecnológica e que seu uso ajuda não só os de pisada neutra mas, principalmente, os que têm supinação ou pronação acentuadas no ato de correr. Claro que este relato está muito simplificado aqui, mas é como consegui dizer em poucas palavras.
Mergulhei no assunto, troquei idéias e logo estava a treinar com uma sapatilha adaptada à corrida, com amortecedor zero, sem conforto algum, pois sua função é somente  proteger os pés de pedregulhos, vidros, pregos, etc. Tem ótima aderência ao asfalto, o que facilita a mudança das passadas.
Correr com apoio no calcanhar e, consequentemente iniciar a pisada no calcâneo, seria a forma mais natural de correr, estará no ápice de nossa evolução, desde quando deixamos de andar de quatro?
Não voltando a correr de quatro mas correndo com uma sapatilha simples, com solado de borracha super resistente e revestida com tecido forte e ventilante, senti logo a diferença em relação ao tênis. As pernas começaram a doer uma dor estranha, entranhada - eu sentia - nos nervos, músculos, nos líquidos, ossos e tendões. Uma dor generalizante que envolvia e encobria as antigas dores específicas do calcanhar esquerdo e joelho direito. Fui devagar e, com uns quatro treinhos, já tinha me acostumado às sapatilhas. Sendo que: ao voltar a usar o velho (saudoso) Nike, especificamnete as dores velhas voltavam a me incomodar mais. Daí fui para treinos longos com elas, de10 a 14 Km, preparei-me para duas corridas de l6 Km, uma dia 18/07/10 e, domingo seguinte, 25/07, a outra. A primeira corri com o velho Nike; a segunda, com a sapatilha. Mas como este post ja está longo demais, comentarei essas corridas no próximo.