terça-feira, 5 de outubro de 2010

Meia Maratona das Pontes - 26 de Setembro/10

Tal qual o 07 de setembro, o dia foi de chuva e vento frio, hora fortes, hora fracos, só que durante quase todo o percurso de 21 km. Dois dias antes da prova, já me encontrava tenso, inseguro para correr, depois de tomar conhecimento dos problemas nos joelhos. Perguntas me vinham e iam. "Agora meus joelhos doerão de verdade", "Sairei bem nessa Meia?". Nos treinos, ainda bem, não tive dores. Estava pronto para correr, com meus maiores cuidados; a qualquer alarme, não teria vexame em parar, sair da prova e voltar à largada, a pé ou de táxi.
Retirem-se essas preocupações e eu estava feliz. Principalmente porque meu irmão, Vandui, professor estadual e de Cursinhos, em Natal-RN, vindo de um evento educacional em Curitiba, deu-me a alegria de ficarmos juntos o final de semana em São Paulo. E melhor: disposto a acordar cedinho, 5:15, e ir comigo ver a corrida, com início para as 7:00..
Assim fizemos e, de ônibus (meu carro ficara em Regente), fomos nós a Santo Amaro,  Ponte Transamèrica, local da largada, onde já estávamos às 6:30. Alegre por sua presença mas por dentro... os receios. Chuva, muita! Uns dois mil participantes, homens, mulheres, jovens  e velho(a)s jovens, nos quais me incluo, pois assim me sinto. Aquecí-me e me alonguei bem, apertei firme os cadarços do meu Pro Adizero, tênis de solado fino, quase sem amortecimento, mais apropriado a minha "nova" forma de correr, descrita em post anterior. E vamos nós!!!
Procurei rítmo, segui a estratégia imaginada: até a metade ir maneiro, a la Hakuna Matata. Assim foi. Todo o percurso foi pela Marginal Pinheiros, metade indo e outra vindo, algumas pontes cruzávamos sobre o rio - daí o nome Meia das Pontes. O rio Pinheiros exalava um fedor menor, devido a chuva, cuja intensidade fazia aumentar mais e mais o volume das águas sujas, escuras, quase a transbordar pelas suas margens. Era bonito ver - e só ver - aquele rio caudaloso, fétido, lixeira ambulante, depositária de dejetos e restos do "progresso" humano, recebendo aquela enxurrada de oxigênio dos céus. Éta chuva boa!
Cada passo um passo, vontade  sob controle - menos a de fazer xixi, pois suando menos, devido ao frio, mantendo o passo, juntei ao banho de chuvarada, meu líquido interno e assim pude confundir os pingos da chuva com outros pingos. Que as águas se diluissem e confundissem desse jeito foi o jeito! Um banho de chuveiro abundante tomaria em casa!
Nada de forçar... a cada quilómetro me animava, e mais ainda porque meu irmão estaria lá na chegada, na mesma ponte, donde partira. Queria receber e lhe dar um abraço tão forte quanto a saudade havida entre nós e a euforia do momento. Mais da metade já corrida e então caprichei nas passadas, respiração, respiração, braços, braços, pernas para que te quero, leve, me elevem, horizonte, minha vida, meus anos, meus antepassados, minha mãe ( embora já ida, sempre presente nessas horas, a  me dar uma mãozinha)  Cada passada valorizada, coordenada, sem ufas nem gemidos tipo huuumm, comuns durante a parte final. Brinquei no meio de tanta gente séria, centrada em si, expressando garra, esforço. Virei, corri um pouquinho de costas, observei, que bonito!, virei.. Tô chegando... E cheguei, convencido de que chegara, dando um "tiro" nos últimos 300 mts
Pois foi assim mesmo que aconteceu no final de minha segunda meia maratona, completada em 2:02:18, sete minutos a menos do  que na mesma Meia, feita um ano atrás.
Voltamos eu e Vandui contentes para casa, encharcados naquele domingo, manhã ainda, com uma tarde inteira para descansar e curtirmos juntos as horas restantes do nosso reencontro em São Paulo.

3 comentários:

lucia elena martins disse...

Ge , tão importante quanto essa meia maratona foi o reencontro com seu irmão.
Que lindo ele tê-lo acompanhado num momento tão especial.

Unknown disse...

Belo texto, tio! Saiba que vc é minha maior fonte de inspiração nesse meu início de romance com a corrida. Infelizmente também senti doer os joelhos na ultima que participei de 10km. Amanha tenho uma consulta com o ortopedista e espero que nao seja nada grave para que possamos correr juntos a Sao Silvestre.

Com certeza a presença do tio Vanduí na corrida foi mais um estímulo pra vc chegar ao final. E como é bom chegar. Chegar inteiro!

Parabéns por essa corrida. Que venham muitas outras.

Beijo.

Diana Guedes.

Unknown disse...

Luza. Gê querido, emocionei-me ao ler o texto acima, imagino vocês dois e agora ainda mais por saber da importãncia tal foi esse encontro pra você e Vando. Teras ainda muito tempo para suas corridas principalmente cuidando com carinho do seu joêlho.
Grande beijo
Natal 06 de outubro de 2010