Corrida Prudente em Presidente Prudente
As corridas de rua estão cada vez mais a chegar também às cidades de porte médio nos interiores do Brasil. É fato. Presidente Prudente, a "capital do oeste paulista", com seus pouco mais de 205 mil habitantes, é uma. Aqui, ontem (27/05/12) participei de uma corrida de 10Km, promovida pela Usina de cana Altoalegre. Soube que as usinas desse grupo levam à pratica o conceito de sustentabilidade, inclusive com esta iniciativa de estímulo ao esporte. É bom saber e correr com ações de empresas assim.
Treinei para esses 10 Km, orientado por uma planilha cheia de diferentes treinos, hora leve, hora puxado, outras apenas andando. Fiz minha musculação caseira e os chamados treinos educativos. Tudo pronto.
Um domingo ensolarado, aquecendo suavemente. Corrida perfazendo todo o perímetro maior do Parque do Povo.Falava-se, lá, de umas mil pessoas inscritas. Foi o evento de menor número de corredores de que já participei. E achei isso interessante. Pouca gente. Mas quase todos bem treinados, percebi isso quando fui ficando para trás logo após a largada, às 8:00 em ponto.
Essa corrida, agora posso dizer, foi toda uma delícia. Nunca senti tanto meu corpo como um todo em movimento. Sem dores, a não ser as de esforços momentâneos, tipo agora vou aumentar o rítmo, agora tem essa longa ladeira, postura, respiração, etc.
Duas coisas importantes me ocorreram durante a prova e me despertaram a atenção.
Primeiro a ausência de dores. Como nunca, para mim ficou clara a relação postura/dor. O jeito de correr repercute em todo o corpo, seja nas pernas, braços, tronco, etc. No momento essa é a questão sobre a qual reflito. Até esqueci-me dos joelhos. Eu era então um todo - cabeça, tronco, membros, em alinhamentos e realinhamentos constantes. Muito terei a aprender a respeito.
Segundo, a boa harmonia entre respiração e rítmo. Segui conselho de um antigo corredor, orientando-me a aspirar o ar pelas narinas e soltá-lo pela boca em cadência com os passos. Tipo aspirar no tempo um, dois, três e expirar no mesmo compasso. Fiz, porém às vezes alternava boca/narinas para narinas/narinas. Foi divertido e bom, sentia oxigenar o cérebro;
.
Um problema me preocupa. Daqui por diante, por razões diversas, não mais terei a orientação do pessoal da Ação Total. Terei de inventar meus próprios treinos. Sempre corri tomando a planilha como referência. E agora, Geraldo?
CorreGeraldo
Sobre meus passos em asfaltos e terras.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
Dos meus Limites, Dores e Competição
Correr me ensina a
envelhecer. Tem implicações física
e mental, com tudo aí presente, que
sejam: sensações, atenções , percepções e pensamentos a permear por todo
o corpo.
Desde novembro/11 não posto nada aqui. Me desanimo, a me
perguntar pra que escrever sobre o que sinto e penso ao correr. A quem
interessa, ...se a mim importa mesmo
simplesmente correr?
O fato é que comecei a gostar de reler meus próprios relatos
de corridas feitos aqui neste blog. A tê-los como aliado da memória. Às vezes é
como um olhar do alto da montanha sobre os caminhos e asfaltos percorridos em
variadas distâncias, lá pelos vales, planícies, montanhas e desfiladeiros. E
quanto suor, dores, prazeres e alegrias para chegar onde me encontro!
Também gosto de ver outros lerem, postarem comentário. Gosto
e mais gosto quando alguém por vias diversas se inspira neles para começar a movimentar-se
seja em caminhada ou corrida.
Minha última corrida “oficial” foram os 16 Km do Circuito
Athenas, em dezembro/11. Corri com dores nos joelhos, preponderante no direito.
O diagnóstico “Condromalácia nível IV”, com o qual há muito me debatia, invadiu-me
de preocupações. Uma nuvem de incertezas, tempestade de interrogações, medos,
receios, sendo mais constante a pergunta: é meu fim como corredor de tão pouco
tempo, apenas três anos? Eu que me vejo, velhinho, a trotar no mais vagar que
seja? Parar agora no 5.7?
Por muito tempo, desde então, tenho corrido com o pensamento
fixado nos joelhos. Confesso: se não fossem uns mecanismos próprios que uso em
momentos ruins, teria me arruinado na depressão ou me apavorado no pânico.
Desde então estou a refazer meu estilo/forma de correr. Voltei
a usar regularmente um tênis; descalço, agora, só em trotes suaves na grama. Uso um tênis
apropriado a um modo de correr mais natural. Sim, porque apesar das dores,
correndo descalço foi quando mais me senti bem, uma sensação de leveza e o despertar
de lembranças infantis, como se fosse um inconsciente corporal vindo à
consciência. Mas os joelhos - mais o direito- acenderam-me uma luz vermelha,
piscando em voz: “ei, cê já passou dos cinquenta”
Comecei a ver meu
declínio muscular chegar. A ruminar reflexões sobre a brevidade da vida,
aceitei. Ok, é inexorável. Precisava fazer algo. Tenho feito musculação caseira
para fortalecer principalmente as pernas. Nos últimos meses intercalei corridas
com esses exercícios. Foram treinos em busca de novas formas de movimentar os
pés, os ombros, pélvis, braços. Todo o cuidado na transferência de peso, de um
passo a outro, passo a passo. E os
efeitos vieram em forma de novos prazeres ao correr, uma nova confiança. E para
meu contentamento, em significativa diminuição das dores.
Por isso, há dois meses me inscrevi para participar das “10
milhas Mizuno”, realizada domingo passado, 28/04.
Foram 16 Km de contentamento. Uma corrida conservadora, no
sentido de conforto. Competir não me interessa nessas provas. Gosto sim, de me testar e perceber e lidar com meus limites. E domingo foi o que mais fiz.
Como cheguei atrasado lá no Joquei
Clube, local da partida, fiz breve trote e entrei na fila, no meio dos mais ou
menos 500 que largam na frente, ao contrário das vezes anteriores quando largo
junto aos 500 da rabeira. Neste caso, gosto de avançar pouco a pouco e se, por
exemplo, tem 5.000 participantes, ultrapasso muita gente. Mas domingo passado
vi o turbilhão passar por mim, eram 6.000, segundo os organizadores, e fui
ficando para trás... À medida que passavam por mim, fui me interiorizando,
calma Geraldo, respire. Nesta multidão você está sozinho, não está competindo
com ninguém nem com você mesmo, aprenda consigo.
É grande a energia entre os corpos em movimento, também é grande a tentação de se querer acelerar o passo para acompanhar a turba. Contenho-me, que se vayam ellos. Corro e observo as
tão variadas pernas e formas de correr dos outros, homens e mulheres.
Dividi, como estratégia, fazer o percurso em três ritmos: 5
Km bem lento, 5 em média e os 6 últimos a me explorar.
Mais difícil foi encontrar um ritmo e velocidade harmônicos.
O coração me orientava ao estar depressa, mas com que ritmo? Ou então o ritmo estava
ótimo, quase música, mas a velocidade quase parando, assim nunca chegaria. Ou a
dor vindo e me obrigando a reorientar tudo: postura, percepção e meus
movimentos. A dor sumia, aprendia com ela.
Pela metade da prova a sensação de ser ultrapassado foi gradativamente
se invertendo e lá fui eu passando os outros. Isso é bom assim, sem que
eu buscasse nem me esforçasse para acontecer. Na minha. Tem gente, mais os jovens,
já percebi, que não gosta de ser ultrapassada, principalmente por um senhor de
cabelo todo branco. Aceleram e fazem questão de avançar, e vão; daqui a pouco tô
eu de novo, na minha, passo ele... e de novo ele me passa e de novo eu, até que
me irrito e resolvo, consciente de minhas passadas, deixá-lo prá trás de vez.
Isso ocorre, sim.
Outro se pareou a mim e me quis como pace, talvez. Ficou uns
10 minutos correndo, sempre ao meu lado. Gosto até de, às vezes, puxar
conversa, quando percebo que não há clima de competição. Não era o caso. Um cara
enorme, grudou-se ao meu lado a me atrapalhar o ritmo e a concentração, com seus gemidos e fungados. Mas que
carrapato! Decido - discretamente - passar
para a lateral da pista e sumo de vista dele.
E tome gritos de alegria sob a garoa no domingo em São Paulo.
E grito eu também, ainda mais ao cruzar o portal de chegada, sem dores no corpo
- e com vontade de correr um pouco mais.
Ótima corrida, depois dela, preciso pensar bem como será
daqui por diante o meu correr.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Ontem ao correr senti o aspirador da morte
17 horas, sol aberto, um treino de 14km, saio pelo avenida principal de Regente Feijó, aqui no extremo oeste do estado de SP, donde se vê Presidente Prudente.
Conforme avanço em ritmo confortável, metade do céu entra em veloz mutação esquizofrênica, escurecendo-se precisamente na direção em que eu ia.
A chuva vem e no 2º km já me encontro embaixo dela. Mas não uma chuva qualquer, das muitas sob as quais já corri; era uma torrencial, transformando rapidamente um céu nublado-claro num outro cinza-escuro, opaco, intenso.
Enquanto eu ia, ainda animado - geralmente gosto de correr na chuva - ela vinha cada vez mais forte, com granizos a cair toc toc em minha cabeça. Prosseguia a brincar com a natureza ao redor e de repente uma inflexível realidade se impunha a minha frente... aquela barreira dágua cada vez mais intransponível a me envolver...
O medo chegou, primeiro como receio, desconfiança de que o tempo não tava prá risos; em seguida já corria com dores , principalmente nas costelas, atrás, e nos joelhos. Medo e dor, combinação infeliz...
Corria descendo uma longa inclinação da estrada, aos 3,5km não dá mais, carros param no encostamento diante da tempestade e vento. Tento mas não dá para continuar, tudo dói e o que vejo me assombra. Preciso voltar... nesse instante um raio, acompanhado de explosivo trovão, cortou o gramado 100 metros ao lado.
Tremi todo, dou meia volta, calafrios pelo miolo da coluna chegam-me ao cérebro e isso me arrepia a pele, sinto-me mal, com temores e tremores.
Nunca pensei tanto nos deuses e porque criamos tantos na infinita linha do tempo eterno: Deus trovão, Deus Relâmpago, só para lembrar de dois pertinentes á ocasião. Pois naquele momento sinto que tive um contato forte com as forças estranhas da natureza e seus mistérios.
Lembrei-me de ter lido que se alguém estiver sob raios em campos abertos, o melhor a fazer é abaixar-se e encolher-se parado. Não aceitei agir assim e corri aos trancos e barrancos rumo à metade do céu mais aberto, com menos chuva, ouvindo torturantes trovões e vendo a hora um raio daqueles me eletrocutar. Não quero morrer assim, pensava , e, ao falar assim comigo , isso me empurrava mais na fuga da torrente. Ao mesmo tempo sentia algo mais - fascinante mistério - me querendo vivo, a me levar de volta ao perímetro urbano da cidade, onde os pararraios nos postes absorvessem os raios - e não o meu corpo em movimento, como se fosse um fio terra ambulante. Sentia-me tão pesado, encharcado, com a sensação, a um só tempo, quente e fria... queria a proteção de uma casa, toalha, cama e lençol. "Vamos, Geraldo, não páre, não se emocione, apenas corra assim... assim... devagar...cada passo um passo, valoroso passo ...saia do pior". E tudo foi-se abrindo em mim e na atmosfera.
Ao adentrar na cidade a chuva aí ficou fininha, quase não incomodava. Incômodos eram as dores e o corpo febril. Pior que, para completar o treino, teria que correr mais 7 km. Sabia que se não o completasse ficaria muito chateado comigo mesmo. Tirei forças não sei de onde e resolvi fazê-lo dentro da cidade. Por sorte quase não havia ninguém pelas ruas, nas quais ziguezaguiei por mais 50 minutos, até completar o que calculei seriam 14 km e, portanto, treino feito!
Em casa, tomei um analgésico, comi um pouco e pelas 20:00 fui p'rá cama não necessariamente dormir mas repousar e refletir sobre o sucedido. Febril e em paz.
Conforme avanço em ritmo confortável, metade do céu entra em veloz mutação esquizofrênica, escurecendo-se precisamente na direção em que eu ia.
A chuva vem e no 2º km já me encontro embaixo dela. Mas não uma chuva qualquer, das muitas sob as quais já corri; era uma torrencial, transformando rapidamente um céu nublado-claro num outro cinza-escuro, opaco, intenso.
Enquanto eu ia, ainda animado - geralmente gosto de correr na chuva - ela vinha cada vez mais forte, com granizos a cair toc toc em minha cabeça. Prosseguia a brincar com a natureza ao redor e de repente uma inflexível realidade se impunha a minha frente... aquela barreira dágua cada vez mais intransponível a me envolver...
O medo chegou, primeiro como receio, desconfiança de que o tempo não tava prá risos; em seguida já corria com dores , principalmente nas costelas, atrás, e nos joelhos. Medo e dor, combinação infeliz...
Corria descendo uma longa inclinação da estrada, aos 3,5km não dá mais, carros param no encostamento diante da tempestade e vento. Tento mas não dá para continuar, tudo dói e o que vejo me assombra. Preciso voltar... nesse instante um raio, acompanhado de explosivo trovão, cortou o gramado 100 metros ao lado.
Tremi todo, dou meia volta, calafrios pelo miolo da coluna chegam-me ao cérebro e isso me arrepia a pele, sinto-me mal, com temores e tremores.
Nunca pensei tanto nos deuses e porque criamos tantos na infinita linha do tempo eterno: Deus trovão, Deus Relâmpago, só para lembrar de dois pertinentes á ocasião. Pois naquele momento sinto que tive um contato forte com as forças estranhas da natureza e seus mistérios.
Lembrei-me de ter lido que se alguém estiver sob raios em campos abertos, o melhor a fazer é abaixar-se e encolher-se parado. Não aceitei agir assim e corri aos trancos e barrancos rumo à metade do céu mais aberto, com menos chuva, ouvindo torturantes trovões e vendo a hora um raio daqueles me eletrocutar. Não quero morrer assim, pensava , e, ao falar assim comigo , isso me empurrava mais na fuga da torrente. Ao mesmo tempo sentia algo mais - fascinante mistério - me querendo vivo, a me levar de volta ao perímetro urbano da cidade, onde os pararraios nos postes absorvessem os raios - e não o meu corpo em movimento, como se fosse um fio terra ambulante. Sentia-me tão pesado, encharcado, com a sensação, a um só tempo, quente e fria... queria a proteção de uma casa, toalha, cama e lençol. "Vamos, Geraldo, não páre, não se emocione, apenas corra assim... assim... devagar...cada passo um passo, valoroso passo ...saia do pior". E tudo foi-se abrindo em mim e na atmosfera.
Ao adentrar na cidade a chuva aí ficou fininha, quase não incomodava. Incômodos eram as dores e o corpo febril. Pior que, para completar o treino, teria que correr mais 7 km. Sabia que se não o completasse ficaria muito chateado comigo mesmo. Tirei forças não sei de onde e resolvi fazê-lo dentro da cidade. Por sorte quase não havia ninguém pelas ruas, nas quais ziguezaguiei por mais 50 minutos, até completar o que calculei seriam 14 km e, portanto, treino feito!
Em casa, tomei um analgésico, comi um pouco e pelas 20:00 fui p'rá cama não necessariamente dormir mas repousar e refletir sobre o sucedido. Febril e em paz.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Corrida de Ygaracy ao Aguiar
Dez meses depois... Muito aconteceu nesse tempo em que nada escrevi aqui. Os motivos explicarei aos poucos. Agora me interessa narrar uma corrida muito especial que realizei sozinho no sertão da Paraiba, na secular estrada de chão batido, saindo de Ygaracy até Aguiar, distânte 15km.
Assim foi: dia 10/08/11, fui de avião até João Pessoa, onde passei uma tarde-noite muito agradável com parentes e amigos conterrâneos. Cedinho, na manhã de quinta, peguei ônibus até Patos, dali fui de Van até Ygaracy, cheguei pelas três da tarde e fiquei numa pousada. Armei uma rede e dormi um pouco.
Depois saí pela cidade em busca de um açude para nadar. Seguindo orientação, andei uns 20 minutos num caminho até a beirada do açude, porém não encontrei um lugar livre dos igarapés e capins, onde pudesse cair nágua, de modo que resolvi voltar e a coisa ficou feia, pois me adentrei numa mata de espinhosas juremas e os espinhos me arranharam; já se fazia escuro e com esforço reencontrei a vereda de volta à cidade... Então jantei um bom prato de macarrão, arroz, tomate e carne no único hotel local. Em seguida passeei pelas ruas, vi a praça cheia de jovens, alegres, música vindo não sabia de onde, paqueras, atmosfera que me fez sentir saudade de mim mesmo jovem; pelas 22h, fui para pousada tomar banho e dormir. Adormeci tranquilo, como alguém ausente, mas pertencente àquela terra e àquele céu com sua noite estrelada.
Disseram-me que ali o sol nasce pelas 6h. Decidí que partiria nessa hora e assim combinei com Milton Guedes, primo residente em Aguiar e que foi de uma gentileza sem fim ao se dispor a vir até Ygaracy me acompanhar na corrida.
Acordei às 4:30 e não mais sono. Abri o ferrolho da janelinha que dava para o horizonte e só vi escuro, nada do alvorecer; a lua, quase cheia, se escondia atrás de ulguma serra. Li um pouco. Vesti a roupa escolhida , calçei meu rodado tênis Newton, apropriado ao modo de correr de quem corre ou já correu descalço, me alonguei, comi duas torradas com pasta de amendoim, tomei um suco de acerola e desci para rua às 5:30, aqueci-me com leve trote; 10 para as 6 chegou meu primo. Combinamos de ele ir 3km à frente e me esperar para me "abastecer" com água e repositor energético. Assim, ao surgir a luz direta do Astro Rei, parti.
Corri 3 km até entrar à esquerda, numa outra estrada mais estreita, que segue até o Aguiar. Aquele primeiro trecho fiz em 15 minutos, rápido demais para mim. Isso se deu devido a poeira deixada pelos carros, cujas idas e vindas me deixavam lufadas de poiera marrom quase vermelha. Disso me aliviou bastante os óculos escuros apropriados à proteção total dos olhos, porém nariz e boca... "Isso é que é comer poeira!", me disse.
Na dita entrada estava meu primo, deu-me água e adiantou-se mais 3km.
Agora quase não passava carro e a corrida começou a ficar interessante. Comecei a reconhecer aquelas curvas, as ladeiras, a vegetação eterna, principalmente a espinhosa jurema. Meu ser nordestino, daqueles sertões, despertava da longa noite do elástico tempo. Ouvia meus próprios passos a deslizar sobre os pedregulhos, tudo parecia parado e silencioso, às vezes interrompido por um ou outro canto de pássaros aqui, ali, longe.
O sol subia pelo lado direito do céu, a lua se apagava lentamente à esquerda, aos poucos esquentava-me a face direita, quebrei o boné de lado e adentrava-me mais e mais naquelas terras tão de mim e por mim esquecidas... Diminui o ritmo, escutei meu corpo, respiração, ajeitei a postura, estava contente, estranhamente só e ao mesmo tempo cheio de paisagens e pessoas já idas deste mundo: "minha suave mãe, obrigado por tanto, dá-me persistência; meu áspero pai, dá-me força e coragem". Km 6, mais água, Milton segue para o 9.
Agora sinto-me pesado, passos lentos, flagro-me afundando em ondas de sensações difusas... "Ai meu deus, diabo é isso!".
Vem-me à mente "personagens" construidas por meu amigo Jovino, o Ermitão, como o apelido, criador de uma parafernália técnico-teórica, a Arte Org, uma terapêutica brasileira inovadora. Dentre suas criações, uma fala do Velho Denso que às vezes corporificamos...
Lento e pesado, assim me sinto, nem tanto velho, porém denso. Por uns instantes fraqueza e pesadês nas pernas... reboliço no peito, onde por dentro um coração distante, a pulsar não sei como... Imagens, sensações e pensamentos confusos, difusos ...mas e... o todo de que tanto aprendi, vivi e pratiquei na Arte Org do meu amigo Ermitão...? Algum outro eu em mim agora? Aos poucos vou saindo dessa atmosfera subterrânea, a respirar melhor, abrindo mais os olhos rumo ao horizonte, a perceber e sentir o entorno, meu corpo, "estou quente? Frio? Como me sinto?" Estou a melhorar e melhoro até me livrar daquelas lembranças e saudades, sair daquele estado e voltar ao presente, no que estou a realizar, porque correr é o mais importante no momento e para isso eu vim.
Então uivo, ouço ecoar meu grito naquelas serras e caatinga; canto alto e para a natureza: "a natureza..."
Vejo um açude e os marrecos, os Mergulhões, tanta vida e verde naquelas securas. Aquela rocha e um urubu nela, deus do céu!, parecem eternos... mas chega de saudade, estamos aqui, no magnífico agora, sensação térmica já subindo, Km 10, lá vem uma camionete à esquerda, numa estrada diagonal, cheia de homens, mulheres e crianças, uns em pé, outros sentados... Pára me esperando passar, todos olham, usam a mão à testa como anteparo ao sol, escuto uma voz, "mulher, deve ser promessa que tá pagando", rio e me digo "não é, mas bem que poderia ser".
Km 12 e já tenho certeza de que terminarei bem minha corrida solitária; solitária numas, porque comigo estiveram outras presenças... minha companheira Lucia Elena, minha Lucinha, "presença" estimuladora daquele momento e dele participante...
E sobe e desce ladeiras, um carro vem, buzina, aceno, tô chegando - me alegro - canto o que me vem, um aboio... ê-êêê, êêêê- gado manso.... De repente uma ladeira sem fim, de um quilômetro, "essa ladeira, que ladeira é essa, essa é a ladeira da preguiça"... chego ao topo, avisto o Aguiar. Mais contentamento. Miltom diz que me esperará na entrada antiga da cidade; ok, acelero, mais um carro vem, poeira, tudo bem, canto baixinho: "há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração, toda vez que o adulto balança o menino me dá a mão" e corro firme em minhas passadas... corpo agora em harmonia com tudo...
Chego à entrada nova da cidade, pessoas conhecidas e desconhecidas me cumprimentam, Huguinho de tio Genival! Pessoas da segunda família de meu pai - Leuda e Gerleuda - me esperam passar; aceno, chego onde está Milton, mas de repente me dá vontade de voltear a cidade e assim corro o último Km pelas ruas antigas, velhas conhecidas minhas, por onde a criança que fui correu e brincou. "Bom dia", "bom dia" e mais cumprimentos e então paro, morto de contente, no centro antigo do velho Aguiar, entro no carro do primo e vou prá sua casa tomar um refrescante banho, comer e descansar. Mais tarde tomaria cerveja, ouviríamos música, conversaríamos, eu e parentes e amigos, todos de antigos tempos. Aí já seria outra conversa, outro tópico para algum outro lugar.
Em nenhum momento me precupou a questão de saber em quanto tempo faria o percurso, simplesmente por que isso estava fora de questão, quis apenas viver aquela corrida, embora, para minha surpresa, tenha feito em 1:35min os 15 quilômetros.
Fim de um sonho preparado durante 2 meses de treinamento, orientado pelos compententes profissionais da Ação Total Assessoria, orientações cuidadosas, das quais me lembrei bem e por isso a esses profissionais também dediquei significativos pedaços daquela corrida.
Assim foi: dia 10/08/11, fui de avião até João Pessoa, onde passei uma tarde-noite muito agradável com parentes e amigos conterrâneos. Cedinho, na manhã de quinta, peguei ônibus até Patos, dali fui de Van até Ygaracy, cheguei pelas três da tarde e fiquei numa pousada. Armei uma rede e dormi um pouco.
Depois saí pela cidade em busca de um açude para nadar. Seguindo orientação, andei uns 20 minutos num caminho até a beirada do açude, porém não encontrei um lugar livre dos igarapés e capins, onde pudesse cair nágua, de modo que resolvi voltar e a coisa ficou feia, pois me adentrei numa mata de espinhosas juremas e os espinhos me arranharam; já se fazia escuro e com esforço reencontrei a vereda de volta à cidade... Então jantei um bom prato de macarrão, arroz, tomate e carne no único hotel local. Em seguida passeei pelas ruas, vi a praça cheia de jovens, alegres, música vindo não sabia de onde, paqueras, atmosfera que me fez sentir saudade de mim mesmo jovem; pelas 22h, fui para pousada tomar banho e dormir. Adormeci tranquilo, como alguém ausente, mas pertencente àquela terra e àquele céu com sua noite estrelada.
Disseram-me que ali o sol nasce pelas 6h. Decidí que partiria nessa hora e assim combinei com Milton Guedes, primo residente em Aguiar e que foi de uma gentileza sem fim ao se dispor a vir até Ygaracy me acompanhar na corrida.
Acordei às 4:30 e não mais sono. Abri o ferrolho da janelinha que dava para o horizonte e só vi escuro, nada do alvorecer; a lua, quase cheia, se escondia atrás de ulguma serra. Li um pouco. Vesti a roupa escolhida , calçei meu rodado tênis Newton, apropriado ao modo de correr de quem corre ou já correu descalço, me alonguei, comi duas torradas com pasta de amendoim, tomei um suco de acerola e desci para rua às 5:30, aqueci-me com leve trote; 10 para as 6 chegou meu primo. Combinamos de ele ir 3km à frente e me esperar para me "abastecer" com água e repositor energético. Assim, ao surgir a luz direta do Astro Rei, parti.
Corri 3 km até entrar à esquerda, numa outra estrada mais estreita, que segue até o Aguiar. Aquele primeiro trecho fiz em 15 minutos, rápido demais para mim. Isso se deu devido a poeira deixada pelos carros, cujas idas e vindas me deixavam lufadas de poiera marrom quase vermelha. Disso me aliviou bastante os óculos escuros apropriados à proteção total dos olhos, porém nariz e boca... "Isso é que é comer poeira!", me disse.
Na dita entrada estava meu primo, deu-me água e adiantou-se mais 3km.
Agora quase não passava carro e a corrida começou a ficar interessante. Comecei a reconhecer aquelas curvas, as ladeiras, a vegetação eterna, principalmente a espinhosa jurema. Meu ser nordestino, daqueles sertões, despertava da longa noite do elástico tempo. Ouvia meus próprios passos a deslizar sobre os pedregulhos, tudo parecia parado e silencioso, às vezes interrompido por um ou outro canto de pássaros aqui, ali, longe.
O sol subia pelo lado direito do céu, a lua se apagava lentamente à esquerda, aos poucos esquentava-me a face direita, quebrei o boné de lado e adentrava-me mais e mais naquelas terras tão de mim e por mim esquecidas... Diminui o ritmo, escutei meu corpo, respiração, ajeitei a postura, estava contente, estranhamente só e ao mesmo tempo cheio de paisagens e pessoas já idas deste mundo: "minha suave mãe, obrigado por tanto, dá-me persistência; meu áspero pai, dá-me força e coragem". Km 6, mais água, Milton segue para o 9.
Agora sinto-me pesado, passos lentos, flagro-me afundando em ondas de sensações difusas... "Ai meu deus, diabo é isso!".
Vem-me à mente "personagens" construidas por meu amigo Jovino, o Ermitão, como o apelido, criador de uma parafernália técnico-teórica, a Arte Org, uma terapêutica brasileira inovadora. Dentre suas criações, uma fala do Velho Denso que às vezes corporificamos...
Lento e pesado, assim me sinto, nem tanto velho, porém denso. Por uns instantes fraqueza e pesadês nas pernas... reboliço no peito, onde por dentro um coração distante, a pulsar não sei como... Imagens, sensações e pensamentos confusos, difusos ...mas e... o todo de que tanto aprendi, vivi e pratiquei na Arte Org do meu amigo Ermitão...? Algum outro eu em mim agora? Aos poucos vou saindo dessa atmosfera subterrânea, a respirar melhor, abrindo mais os olhos rumo ao horizonte, a perceber e sentir o entorno, meu corpo, "estou quente? Frio? Como me sinto?" Estou a melhorar e melhoro até me livrar daquelas lembranças e saudades, sair daquele estado e voltar ao presente, no que estou a realizar, porque correr é o mais importante no momento e para isso eu vim.
Então uivo, ouço ecoar meu grito naquelas serras e caatinga; canto alto e para a natureza: "a natureza..."
Vejo um açude e os marrecos, os Mergulhões, tanta vida e verde naquelas securas. Aquela rocha e um urubu nela, deus do céu!, parecem eternos... mas chega de saudade, estamos aqui, no magnífico agora, sensação térmica já subindo, Km 10, lá vem uma camionete à esquerda, numa estrada diagonal, cheia de homens, mulheres e crianças, uns em pé, outros sentados... Pára me esperando passar, todos olham, usam a mão à testa como anteparo ao sol, escuto uma voz, "mulher, deve ser promessa que tá pagando", rio e me digo "não é, mas bem que poderia ser".
Km 12 e já tenho certeza de que terminarei bem minha corrida solitária; solitária numas, porque comigo estiveram outras presenças... minha companheira Lucia Elena, minha Lucinha, "presença" estimuladora daquele momento e dele participante...
E sobe e desce ladeiras, um carro vem, buzina, aceno, tô chegando - me alegro - canto o que me vem, um aboio... ê-êêê, êêêê- gado manso.... De repente uma ladeira sem fim, de um quilômetro, "essa ladeira, que ladeira é essa, essa é a ladeira da preguiça"... chego ao topo, avisto o Aguiar. Mais contentamento. Miltom diz que me esperará na entrada antiga da cidade; ok, acelero, mais um carro vem, poeira, tudo bem, canto baixinho: "há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração, toda vez que o adulto balança o menino me dá a mão" e corro firme em minhas passadas... corpo agora em harmonia com tudo...
Chego à entrada nova da cidade, pessoas conhecidas e desconhecidas me cumprimentam, Huguinho de tio Genival! Pessoas da segunda família de meu pai - Leuda e Gerleuda - me esperam passar; aceno, chego onde está Milton, mas de repente me dá vontade de voltear a cidade e assim corro o último Km pelas ruas antigas, velhas conhecidas minhas, por onde a criança que fui correu e brincou. "Bom dia", "bom dia" e mais cumprimentos e então paro, morto de contente, no centro antigo do velho Aguiar, entro no carro do primo e vou prá sua casa tomar um refrescante banho, comer e descansar. Mais tarde tomaria cerveja, ouviríamos música, conversaríamos, eu e parentes e amigos, todos de antigos tempos. Aí já seria outra conversa, outro tópico para algum outro lugar.
Em nenhum momento me precupou a questão de saber em quanto tempo faria o percurso, simplesmente por que isso estava fora de questão, quis apenas viver aquela corrida, embora, para minha surpresa, tenha feito em 1:35min os 15 quilômetros.
Fim de um sonho preparado durante 2 meses de treinamento, orientado pelos compententes profissionais da Ação Total Assessoria, orientações cuidadosas, das quais me lembrei bem e por isso a esses profissionais também dediquei significativos pedaços daquela corrida.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Meia Maratona das Pontes - 26 de Setembro/10
Tal qual o 07 de setembro, o dia foi de chuva e vento frio, hora fortes, hora fracos, só que durante quase todo o percurso de 21 km. Dois dias antes da prova, já me encontrava tenso, inseguro para correr, depois de tomar conhecimento dos problemas nos joelhos. Perguntas me vinham e iam. "Agora meus joelhos doerão de verdade", "Sairei bem nessa Meia?". Nos treinos, ainda bem, não tive dores. Estava pronto para correr, com meus maiores cuidados; a qualquer alarme, não teria vexame em parar, sair da prova e voltar à largada, a pé ou de táxi.
Retirem-se essas preocupações e eu estava feliz. Principalmente porque meu irmão, Vandui, professor estadual e de Cursinhos, em Natal-RN, vindo de um evento educacional em Curitiba, deu-me a alegria de ficarmos juntos o final de semana em São Paulo. E melhor: disposto a acordar cedinho, 5:15, e ir comigo ver a corrida, com início para as 7:00..
Assim fizemos e, de ônibus (meu carro ficara em Regente), fomos nós a Santo Amaro, Ponte Transamèrica, local da largada, onde já estávamos às 6:30. Alegre por sua presença mas por dentro... os receios. Chuva, muita! Uns dois mil participantes, homens, mulheres, jovens e velho(a)s jovens, nos quais me incluo, pois assim me sinto. Aquecí-me e me alonguei bem, apertei firme os cadarços do meu Pro Adizero, tênis de solado fino, quase sem amortecimento, mais apropriado a minha "nova" forma de correr, descrita em post anterior. E vamos nós!!!
Procurei rítmo, segui a estratégia imaginada: até a metade ir maneiro, a la Hakuna Matata. Assim foi. Todo o percurso foi pela Marginal Pinheiros, metade indo e outra vindo, algumas pontes cruzávamos sobre o rio - daí o nome Meia das Pontes. O rio Pinheiros exalava um fedor menor, devido a chuva, cuja intensidade fazia aumentar mais e mais o volume das águas sujas, escuras, quase a transbordar pelas suas margens. Era bonito ver - e só ver - aquele rio caudaloso, fétido, lixeira ambulante, depositária de dejetos e restos do "progresso" humano, recebendo aquela enxurrada de oxigênio dos céus. Éta chuva boa!
Cada passo um passo, vontade sob controle - menos a de fazer xixi, pois suando menos, devido ao frio, mantendo o passo, juntei ao banho de chuvarada, meu líquido interno e assim pude confundir os pingos da chuva com outros pingos. Que as águas se diluissem e confundissem desse jeito foi o jeito! Um banho de chuveiro abundante tomaria em casa!
Nada de forçar... a cada quilómetro me animava, e mais ainda porque meu irmão estaria lá na chegada, na mesma ponte, donde partira. Queria receber e lhe dar um abraço tão forte quanto a saudade havida entre nós e a euforia do momento. Mais da metade já corrida e então caprichei nas passadas, respiração, respiração, braços, braços, pernas para que te quero, leve, me elevem, horizonte, minha vida, meus anos, meus antepassados, minha mãe ( embora já ida, sempre presente nessas horas, a me dar uma mãozinha) Cada passada valorizada, coordenada, sem ufas nem gemidos tipo huuumm, comuns durante a parte final. Brinquei no meio de tanta gente séria, centrada em si, expressando garra, esforço. Virei, corri um pouquinho de costas, observei, que bonito!, virei.. Tô chegando... E cheguei, convencido de que chegara, dando um "tiro" nos últimos 300 mts
Pois foi assim mesmo que aconteceu no final de minha segunda meia maratona, completada em 2:02:18, sete minutos a menos do que na mesma Meia, feita um ano atrás.
Voltamos eu e Vandui contentes para casa, encharcados naquele domingo, manhã ainda, com uma tarde inteira para descansar e curtirmos juntos as horas restantes do nosso reencontro em São Paulo.
Retirem-se essas preocupações e eu estava feliz. Principalmente porque meu irmão, Vandui, professor estadual e de Cursinhos, em Natal-RN, vindo de um evento educacional em Curitiba, deu-me a alegria de ficarmos juntos o final de semana em São Paulo. E melhor: disposto a acordar cedinho, 5:15, e ir comigo ver a corrida, com início para as 7:00..
Assim fizemos e, de ônibus (meu carro ficara em Regente), fomos nós a Santo Amaro, Ponte Transamèrica, local da largada, onde já estávamos às 6:30. Alegre por sua presença mas por dentro... os receios. Chuva, muita! Uns dois mil participantes, homens, mulheres, jovens e velho(a)s jovens, nos quais me incluo, pois assim me sinto. Aquecí-me e me alonguei bem, apertei firme os cadarços do meu Pro Adizero, tênis de solado fino, quase sem amortecimento, mais apropriado a minha "nova" forma de correr, descrita em post anterior. E vamos nós!!!
Procurei rítmo, segui a estratégia imaginada: até a metade ir maneiro, a la Hakuna Matata. Assim foi. Todo o percurso foi pela Marginal Pinheiros, metade indo e outra vindo, algumas pontes cruzávamos sobre o rio - daí o nome Meia das Pontes. O rio Pinheiros exalava um fedor menor, devido a chuva, cuja intensidade fazia aumentar mais e mais o volume das águas sujas, escuras, quase a transbordar pelas suas margens. Era bonito ver - e só ver - aquele rio caudaloso, fétido, lixeira ambulante, depositária de dejetos e restos do "progresso" humano, recebendo aquela enxurrada de oxigênio dos céus. Éta chuva boa!
Cada passo um passo, vontade sob controle - menos a de fazer xixi, pois suando menos, devido ao frio, mantendo o passo, juntei ao banho de chuvarada, meu líquido interno e assim pude confundir os pingos da chuva com outros pingos. Que as águas se diluissem e confundissem desse jeito foi o jeito! Um banho de chuveiro abundante tomaria em casa!
Nada de forçar... a cada quilómetro me animava, e mais ainda porque meu irmão estaria lá na chegada, na mesma ponte, donde partira. Queria receber e lhe dar um abraço tão forte quanto a saudade havida entre nós e a euforia do momento. Mais da metade já corrida e então caprichei nas passadas, respiração, respiração, braços, braços, pernas para que te quero, leve, me elevem, horizonte, minha vida, meus anos, meus antepassados, minha mãe ( embora já ida, sempre presente nessas horas, a me dar uma mãozinha) Cada passada valorizada, coordenada, sem ufas nem gemidos tipo huuumm, comuns durante a parte final. Brinquei no meio de tanta gente séria, centrada em si, expressando garra, esforço. Virei, corri um pouquinho de costas, observei, que bonito!, virei.. Tô chegando... E cheguei, convencido de que chegara, dando um "tiro" nos últimos 300 mts
Pois foi assim mesmo que aconteceu no final de minha segunda meia maratona, completada em 2:02:18, sete minutos a menos do que na mesma Meia, feita um ano atrás.
Voltamos eu e Vandui contentes para casa, encharcados naquele domingo, manhã ainda, com uma tarde inteira para descansar e curtirmos juntos as horas restantes do nosso reencontro em São Paulo.
sábado, 2 de outubro de 2010
Pois não devia - e agora, Geraldo?
Os resultados das três ressonâncias me espantaram, me assustaram. Em síntese: condromalácia grau IV no joelho direito (existem 5 graus) com desgaste avançado na carilagem dos dois meniscos mediais.
Céus!!!
Me arrasou, geraram-se em mim idéias fiixas sobre o problema. Então era isso aquela dorzinha ardente que melhorava conforme me movimentava até certo tempo na corrida! E agora? perguntava-me o tempo todo. Falo com tantos... meu cunhado Nilson, competente fisioterapeuta, me acalmou ao dizer "contitue a correr mas diminua o volume(distância) e a intensidade (velocidade) nos treinos'. Fiquei em silêncio mas tocado pelo alerta. Em mente vieram-se os tantos treinos havidos, às vezes bem puxados, sempre a elastecer os esforços, sem maiores preocupações com os joelhos. Nossa, disse a mim mesmo, tudo isso acontecendo (desgastes) e eu, embora crente nos meus cuidados, com todo aquele volumes e intensidade nos treinos!!!
Preguntei-lhe se esse quadro podia ser recente, devido a mudança na passada ao correr e levando em conta a diminuição daquelas dores ardidas, mais sentidas no tempo em que só corria com tenis de amortecimentos altos com passada iniciando no calcanhar. Ele disse "não, isso é coisa antiga" Mas Nilson, perguntei, e minhas proximas corridas, uma meia maratona dia 22 próximo, mais outra meia em novembro e São Silvestre final de ano? Que faço? "Vai devagar, desacelera"
Então assim farei, seguirei as orientações do querido Nilsinho, além de suas prescrições homeopáticas, o condroflex diário e uns exercícios terapêuticos para os joelhos. Ah, passarei também o sebo de carneiro, recomendado por Dona Olga.
Obrigado, Dr Nilson!
Céus!!!
Me arrasou, geraram-se em mim idéias fiixas sobre o problema. Então era isso aquela dorzinha ardente que melhorava conforme me movimentava até certo tempo na corrida! E agora? perguntava-me o tempo todo. Falo com tantos... meu cunhado Nilson, competente fisioterapeuta, me acalmou ao dizer "contitue a correr mas diminua o volume(distância) e a intensidade (velocidade) nos treinos'. Fiquei em silêncio mas tocado pelo alerta. Em mente vieram-se os tantos treinos havidos, às vezes bem puxados, sempre a elastecer os esforços, sem maiores preocupações com os joelhos. Nossa, disse a mim mesmo, tudo isso acontecendo (desgastes) e eu, embora crente nos meus cuidados, com todo aquele volumes e intensidade nos treinos!!!
Preguntei-lhe se esse quadro podia ser recente, devido a mudança na passada ao correr e levando em conta a diminuição daquelas dores ardidas, mais sentidas no tempo em que só corria com tenis de amortecimentos altos com passada iniciando no calcanhar. Ele disse "não, isso é coisa antiga" Mas Nilson, perguntei, e minhas proximas corridas, uma meia maratona dia 22 próximo, mais outra meia em novembro e São Silvestre final de ano? Que faço? "Vai devagar, desacelera"
Então assim farei, seguirei as orientações do querido Nilsinho, além de suas prescrições homeopáticas, o condroflex diário e uns exercícios terapêuticos para os joelhos. Ah, passarei também o sebo de carneiro, recomendado por Dona Olga.
Obrigado, Dr Nilson!
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Resolvi correr mais rápido
Corrida Troféu da Independência, 07/09/, largada (8:00) e chegada dentro do Parque do Monumento, local às margens féticas de um córrego que, em 1822, chamava-se rio Ipiranga, onde D. Pedro fez uns gestos e proclamou frases que ecoam até hoje.
O dia nasceu escuro, com chuva, frio e vento. Acordei às 5:00, corpo meio pesado, ressentido ainda pelas brejas a mais, bebidas no sábado, dia 05. Um pouco zangado comigo, pelo excesso cometido, fiz meu café, comi e, meia hara depois, tava sob chuva e me aquecendo bem antes da largada. Fiz esse mesmo percurso, um ano atrás, em 1:04. Hoje corri com a sapatilha okean, tive bastante cuidado para não escorregar, ja que com ela não havia corrido em chão molhado. Foi divertido, uma gritaria aos céus e a alguns poucos que assistiam nas maquises, protegendo-se da chuva.
Corri bem, só a antiga dorzinha a me arder o joelho (fiz ressonância magnética e na 2ª feira pegarei resultado). Sinto que forcei como nunca nas muitas subidas/descidas do percurso e - chuva do começo ao fim - terminei em 52:26, com 12min. de diferença da anterior.
Fiquei tão contente... após desaquecer, saí por um gramado andando e comendo o lanche oferecido, de bem comigo e, de pronto choque, tropeçei num toco coberto pela grama , desandei uns passos sem querer, quase caí, senti uma dor aguda a me percoreer do 3º dedo do pé ao topo da cabeça! Ainda por cima chovia, fui mancando até o carro, pés encharcado, dedo doendo. Cheguei em casa e vi o inchaço nele. Banho, mais lanche, rede e tome Gelo, que é o mais indicado na hora. E se tivesse quebrado, fissurado? Inchado, arrocheado, alguém disse "a unha ficará preta, até cair". Fiz sangria - ai dor! -, tomei antinflamatório, massagem, cuidei. Três dias após ja treinava e tudo bem com o pé.
Mas a tristeza me pegou, com os resultados doa ressonâncias. É do que escreverei no próximo post.
O dia nasceu escuro, com chuva, frio e vento. Acordei às 5:00, corpo meio pesado, ressentido ainda pelas brejas a mais, bebidas no sábado, dia 05. Um pouco zangado comigo, pelo excesso cometido, fiz meu café, comi e, meia hara depois, tava sob chuva e me aquecendo bem antes da largada. Fiz esse mesmo percurso, um ano atrás, em 1:04. Hoje corri com a sapatilha okean, tive bastante cuidado para não escorregar, ja que com ela não havia corrido em chão molhado. Foi divertido, uma gritaria aos céus e a alguns poucos que assistiam nas maquises, protegendo-se da chuva.
Corri bem, só a antiga dorzinha a me arder o joelho (fiz ressonância magnética e na 2ª feira pegarei resultado). Sinto que forcei como nunca nas muitas subidas/descidas do percurso e - chuva do começo ao fim - terminei em 52:26, com 12min. de diferença da anterior.
Fiquei tão contente... após desaquecer, saí por um gramado andando e comendo o lanche oferecido, de bem comigo e, de pronto choque, tropeçei num toco coberto pela grama , desandei uns passos sem querer, quase caí, senti uma dor aguda a me percoreer do 3º dedo do pé ao topo da cabeça! Ainda por cima chovia, fui mancando até o carro, pés encharcado, dedo doendo. Cheguei em casa e vi o inchaço nele. Banho, mais lanche, rede e tome Gelo, que é o mais indicado na hora. E se tivesse quebrado, fissurado? Inchado, arrocheado, alguém disse "a unha ficará preta, até cair". Fiz sangria - ai dor! -, tomei antinflamatório, massagem, cuidei. Três dias após ja treinava e tudo bem com o pé.
Mas a tristeza me pegou, com os resultados doa ressonâncias. É do que escreverei no próximo post.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Pisada em Trânsito
Como disse, corri as 10 milhas (16Km) Mizuno( 25/07) com sapatilha simples, a mesma dos treinos, um tipo de luva dos pés, cuja função é somente protegê-los. Quando mudamos a forma de correr, tudo muda no corpo. Pisar iniciando o passo com a polpa do pé e aterrizar com o calcanhar, eis a transformação radical no correr. É outra aerodinâmica. Demorei a regular (às vezes ainda me desconecto e então a antiga pisada me toma) , mas sinto que não tem retorno, apesar do que constato... Constatei que assim estou correndo mais devagar. É mais completo em termos de sensações, senti-me melhor, mais inteiro, coordenado, porém fiquei surpreso com o tempo de 1:36, 10 minutos a mais do que o tempo nas 10 milhas do Circuito Athenas, oito dias antes, quando fiz em 1:26, com meu "velho" Nike, de amortecimento mediano. Pensei muito no que houve - e está havendo.
Não é fácil mudar algo tão enraizado no corpo. Diz-se que a forma de correr com o apoio da pisada
iniciada no calcanhar é coisa do advento do tênis, destacadamente a partir do início da década de 1970. Antes, corria-se descalço ou com solado minimo. Lembro-me de na infância, em Aguiar, no quente sertão paraibano, passar horas andando ou correndo de havaianas nas maõs e pés descalços por caminhos de chão batido.. A sensação era de presença na terra, no solo; de vento (ou sem vento) e do sol. Mas, sinceramente, não lembro se corria pisando primeiro o calcanhar ou se a metade da frente do pé.
Sei que nas 10 milhas Mizuno corri mais devagar, só que com mais soltura, brincando, cantarolando durante
trechos. As panturrilhas doiam uma dor compacta que me dizia da necessidade de fortaleçer as pernas. O quadril, hora muito prá frente ou o inverso; os joelhos procurava mantê-los um pouco fletidos e, com isso, a dor embaixo da patela direita dissipava à medida que avançava no percurso, até desaparecer.
Interessante, pois na outra corrida, oito dias após, essa dor diminuiu mas não sumiu. Verdade que corri mais rápido e várias vezes me peguei pisando primeiro com o calcanhar. Contudo, sentia incômodos, um corpo desajeitado, o joelho sempre insinuando leve ardência (tendinite patelar?), desconexão clara entre respiração e abdômen. E muito mais esforço. Correr sempre mais rápido não é meu primeiro objetivo e sim correr com estilo próprio, mais ainda, com prazer, "na esportiva", como se dizia outrora.
Vou continuar com os calçados de solado mínimo. Darei de presente meus tênis de amortecedores
bonitos e ficarei, por enquanto, treinando com minha sapatilha ( da Okeon) e um razoável Adidas Adizero Pro ( saído já de linha) com amortecimento fininho. Isso de correr assim e assim calçado tem me dado uma vontade danada de andar descalço na relva ou na selva. Disse andar e não correr descalço.
Correr descalço? ...Esse assunto vai longe.
Não é fácil mudar algo tão enraizado no corpo. Diz-se que a forma de correr com o apoio da pisada
iniciada no calcanhar é coisa do advento do tênis, destacadamente a partir do início da década de 1970. Antes, corria-se descalço ou com solado minimo. Lembro-me de na infância, em Aguiar, no quente sertão paraibano, passar horas andando ou correndo de havaianas nas maõs e pés descalços por caminhos de chão batido.. A sensação era de presença na terra, no solo; de vento (ou sem vento) e do sol. Mas, sinceramente, não lembro se corria pisando primeiro o calcanhar ou se a metade da frente do pé.
Sei que nas 10 milhas Mizuno corri mais devagar, só que com mais soltura, brincando, cantarolando durante
trechos. As panturrilhas doiam uma dor compacta que me dizia da necessidade de fortaleçer as pernas. O quadril, hora muito prá frente ou o inverso; os joelhos procurava mantê-los um pouco fletidos e, com isso, a dor embaixo da patela direita dissipava à medida que avançava no percurso, até desaparecer.
Interessante, pois na outra corrida, oito dias após, essa dor diminuiu mas não sumiu. Verdade que corri mais rápido e várias vezes me peguei pisando primeiro com o calcanhar. Contudo, sentia incômodos, um corpo desajeitado, o joelho sempre insinuando leve ardência (tendinite patelar?), desconexão clara entre respiração e abdômen. E muito mais esforço. Correr sempre mais rápido não é meu primeiro objetivo e sim correr com estilo próprio, mais ainda, com prazer, "na esportiva", como se dizia outrora.
Vou continuar com os calçados de solado mínimo. Darei de presente meus tênis de amortecedores
bonitos e ficarei, por enquanto, treinando com minha sapatilha ( da Okeon) e um razoável Adidas Adizero Pro ( saído já de linha) com amortecimento fininho. Isso de correr assim e assim calçado tem me dado uma vontade danada de andar descalço na relva ou na selva. Disse andar e não correr descalço.
Correr descalço? ...Esse assunto vai longe.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Correr : como? - Com que calçado?
Faz tempo que não me visito aqui. Não significa desligamento deste lugar. È porque resolvi só dizer aqui coisas reveladas pela prática. Por isso demorei a postar algo.
Faz meses que ando a ruminar sobre o como correr da melhor forma, cujos resultados mostrem melhoras na resistência e velocidade, com o mínimo de lesões ou, melhor, sem lesões. Porque lesões são, atualmente, ocorrências corriqueiras e fartas entre corredores, amadores ou profissionais e mais ainda entre os que só ocasionalmente correm. Eu corro em busca de bem-estar e faço auto observações durantes treinos e provas(nestas, havendo momentos especiais).
Como disse, corro há um ano e meio.(houve um intervalo de 45 dias sem treinos). Desde o início, duas lesões sempre me incomodam; não me tiram das corridas/treinos, mas incomodam; às vezes pela ardência, outras por moderada e persistente dor. Uma é no calcanhar esquerdo, próxima ao tendão de Aquiles; outra, que arde, no joelho direito. Eu as trato com procedimentos naturais, tipo acupuntura, contraste de água quente/fria, massagens, etc. Comecei a buscar informações sobre o assunto e vi que, na internet, por vários sites, corre uma boa polêmica sobre a funcionalidade do tênis com amortecedores entre os que correm. As oposições são radicais às vezes. De um lado uma minoria mínima mesmo, convicta de que a invenção do tênis trouxe um leque de lesões, cujas ocorrências praticamente não havia até a sua industrialização. Que os grandes corredores, velocistas ou maratonistas, sempre correram com calçado mínimo, sem amortecedores na sola. Que estes gradualmente modificaram a forma como as pessoas corriam e a pisada, com os calcanhares absorvendo o primeiro impacto do corpo no chão, passou a ganhar ênfase e, pior, segundo os Corredores de Pés Descalços e os de Pés Quase Descaços, passou a ser recomendação médica. Daí a profusão de amortecedores e tipos de tênis - afirmam. Do outro lado, o da imensa maioria, estão os que defendem o tênis como fruto da evolução tecnológica e que seu uso ajuda não só os de pisada neutra mas, principalmente, os que têm supinação ou pronação acentuadas no ato de correr. Claro que este relato está muito simplificado aqui, mas é como consegui dizer em poucas palavras.
Mergulhei no assunto, troquei idéias e logo estava a treinar com uma sapatilha adaptada à corrida, com amortecedor zero, sem conforto algum, pois sua função é somente proteger os pés de pedregulhos, vidros, pregos, etc. Tem ótima aderência ao asfalto, o que facilita a mudança das passadas.
Correr com apoio no calcanhar e, consequentemente iniciar a pisada no calcâneo, seria a forma mais natural de correr, estará no ápice de nossa evolução, desde quando deixamos de andar de quatro?
Não voltando a correr de quatro mas correndo com uma sapatilha simples, com solado de borracha super resistente e revestida com tecido forte e ventilante, senti logo a diferença em relação ao tênis. As pernas começaram a doer uma dor estranha, entranhada - eu sentia - nos nervos, músculos, nos líquidos, ossos e tendões. Uma dor generalizante que envolvia e encobria as antigas dores específicas do calcanhar esquerdo e joelho direito. Fui devagar e, com uns quatro treinhos, já tinha me acostumado às sapatilhas. Sendo que: ao voltar a usar o velho (saudoso) Nike, especificamnete as dores velhas voltavam a me incomodar mais. Daí fui para treinos longos com elas, de10 a 14 Km, preparei-me para duas corridas de l6 Km, uma dia 18/07/10 e, domingo seguinte, 25/07, a outra. A primeira corri com o velho Nike; a segunda, com a sapatilha. Mas como este post ja está longo demais, comentarei essas corridas no próximo.
Faz meses que ando a ruminar sobre o como correr da melhor forma, cujos resultados mostrem melhoras na resistência e velocidade, com o mínimo de lesões ou, melhor, sem lesões. Porque lesões são, atualmente, ocorrências corriqueiras e fartas entre corredores, amadores ou profissionais e mais ainda entre os que só ocasionalmente correm. Eu corro em busca de bem-estar e faço auto observações durantes treinos e provas(nestas, havendo momentos especiais).
Como disse, corro há um ano e meio.(houve um intervalo de 45 dias sem treinos). Desde o início, duas lesões sempre me incomodam; não me tiram das corridas/treinos, mas incomodam; às vezes pela ardência, outras por moderada e persistente dor. Uma é no calcanhar esquerdo, próxima ao tendão de Aquiles; outra, que arde, no joelho direito. Eu as trato com procedimentos naturais, tipo acupuntura, contraste de água quente/fria, massagens, etc. Comecei a buscar informações sobre o assunto e vi que, na internet, por vários sites, corre uma boa polêmica sobre a funcionalidade do tênis com amortecedores entre os que correm. As oposições são radicais às vezes. De um lado uma minoria mínima mesmo, convicta de que a invenção do tênis trouxe um leque de lesões, cujas ocorrências praticamente não havia até a sua industrialização. Que os grandes corredores, velocistas ou maratonistas, sempre correram com calçado mínimo, sem amortecedores na sola. Que estes gradualmente modificaram a forma como as pessoas corriam e a pisada, com os calcanhares absorvendo o primeiro impacto do corpo no chão, passou a ganhar ênfase e, pior, segundo os Corredores de Pés Descalços e os de Pés Quase Descaços, passou a ser recomendação médica. Daí a profusão de amortecedores e tipos de tênis - afirmam. Do outro lado, o da imensa maioria, estão os que defendem o tênis como fruto da evolução tecnológica e que seu uso ajuda não só os de pisada neutra mas, principalmente, os que têm supinação ou pronação acentuadas no ato de correr. Claro que este relato está muito simplificado aqui, mas é como consegui dizer em poucas palavras.
Mergulhei no assunto, troquei idéias e logo estava a treinar com uma sapatilha adaptada à corrida, com amortecedor zero, sem conforto algum, pois sua função é somente proteger os pés de pedregulhos, vidros, pregos, etc. Tem ótima aderência ao asfalto, o que facilita a mudança das passadas.
Correr com apoio no calcanhar e, consequentemente iniciar a pisada no calcâneo, seria a forma mais natural de correr, estará no ápice de nossa evolução, desde quando deixamos de andar de quatro?
Não voltando a correr de quatro mas correndo com uma sapatilha simples, com solado de borracha super resistente e revestida com tecido forte e ventilante, senti logo a diferença em relação ao tênis. As pernas começaram a doer uma dor estranha, entranhada - eu sentia - nos nervos, músculos, nos líquidos, ossos e tendões. Uma dor generalizante que envolvia e encobria as antigas dores específicas do calcanhar esquerdo e joelho direito. Fui devagar e, com uns quatro treinhos, já tinha me acostumado às sapatilhas. Sendo que: ao voltar a usar o velho (saudoso) Nike, especificamnete as dores velhas voltavam a me incomodar mais. Daí fui para treinos longos com elas, de10 a 14 Km, preparei-me para duas corridas de l6 Km, uma dia 18/07/10 e, domingo seguinte, 25/07, a outra. A primeira corri com o velho Nike; a segunda, com a sapatilha. Mas como este post ja está longo demais, comentarei essas corridas no próximo.
terça-feira, 1 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Retomando prá valer
Não que a última corrida não tenha sido prá valer, é que nos 1ºs Kms do percurso, tive que entrar na via da corrida 10 Km - e não na via da maratona, para a qual havia me inscrito. Lamentei. Também estava um dia muito quente. Josta de cirurgia que me afastou 45 dias dos treinos. Porém, como disse antes, corri devagar mas cheguei bem
Retomando devagar na corrida anteior, acelerei um pouco na do Circuito Athenas, etapa I, em 23-05-10. O dia amanheceu um pouco chuvoso, nublado e frio. Temperatura agradável, corri metade dos 10 em rítmo confortável; até os 08 fui do Limiar a um pouco acima e esforçei-me ao limite no último Km. Fiz com tempo 57:03 (obs.: o tempo que ponho no blog é sempre o Liquido, medido pelo chip).
Estou confuso com minha forma de correr, pois ando praticando a pisada "parte frontal do pé/calcanhar", cuja diferença é muito grande da pisada "calcanhar/parte frontal do pé". Mas este é um tópico para outra postagem.
Retomando devagar na corrida anteior, acelerei um pouco na do Circuito Athenas, etapa I, em 23-05-10. O dia amanheceu um pouco chuvoso, nublado e frio. Temperatura agradável, corri metade dos 10 em rítmo confortável; até os 08 fui do Limiar a um pouco acima e esforçei-me ao limite no último Km. Fiz com tempo 57:03 (obs.: o tempo que ponho no blog é sempre o Liquido, medido pelo chip).
Estou confuso com minha forma de correr, pois ando praticando a pisada "parte frontal do pé/calcanhar", cuja diferença é muito grande da pisada "calcanhar/parte frontal do pé". Mas este é um tópico para outra postagem.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Mais devagar para poder apressar
Cada corrida é uma e somente ela. Fiz os 10Km da Maratona Internacional de sp em 1:04, portanto uns seis minutos a menos do que fiz no mesmo percurso, há um ano exatamente. Mais corri com muito mais percepção de coordenação, tanto dos movimentos físicos, como nas estratégias que fui construindo. Era fólego melhor, auto-observação constante( "como estou respirando? E minhas pernas? Converso comigo mesmo em voz audível, cantarolo Mulher Rendeira; os que passam e os passados pensarão 'está louco'?). Ok, 2km nessa faixa de frequência 140 0 150, em 16 min, aí comigo pensei 'se continuar assim vou demorar uma hora e meia prá chegar', deixei de olhar o relógio(monitor cardíaco) e fui conforme me sentia. Pernas e braços queriam, mas o coração me alertava 'manera'. Pelos Km 5 sentí incômodos, afetado pela temperatura. Que terrível, começar uma corrida às 9:00, muito menos uma maratona como a Internacional de São Paulo!. Tive que conversar com meu coração, que n'algúns momentos ficou caótico... Não pode ser tudo isso que vejo subir no relógio: 223! Respirava, diminuia o passo, um aperto no tórax, respiração curta, por um momento (segundos) literalmente andei; respirei , busquei o todo, as partes, fazia conexões, até sentir o corpo inteiro de novo, porque estava despedaçado. Fiquei uns dez minutos assim, e fui, para o meu bem-estar, melhorando, a pulsação mostrou-se em 150, entrei em novo ritmo; nos dois últimos Km corri mais e ousei um 'tiro' nos 500 mts finais. Alegre e bem fisicamente.
Mas que susto!!
Mas que susto!!
quarta-feira, 21 de abril de 2010
O Diário virou Mensal
Preciso falar de um problema que me fez parar de treinar por quase dois meses, desde 29 de fev. quando fui obrigado a fazer uma... - olha o nome - hemorroidectomia. Tinha isso há décadas mas, com os últimos treinos intensos feitos antes da São Silvestre (SS), a coisa piorou, inchou e sangrava e foi aí que o medico falou 'tem que operar'. Operado, só eu sei o quanto sofrí, muito mais do que em todos os treinos puxados, porém disso não mais falarei. Hoje tô bom e retomei a prática esportiva. Noutro post relatarei como foi a SS. Adianto que fiz num tempo ótimo para mim: 1:26:21.
Nesta retomada agora sigo orientado pela acessoria esportiva Ação Total, treino 4 vezes por semana, 3 vezes no Ibira e, aos sábados, na USP. Tudo vai muito devagar, corro em frequências muito inferiores às que praticava antes. Está mais confortável, me educa mais na passada e não há mais dores no joelho, que bom. Dia 02 de maio farei os mesmos 10K da Maratona Intern. de São Paulo, quando fiz com tempo líquido de 58:56. Mas no ritmo em que estou, acho que não farei em menos de uma hora. Espero para ver. Estou correndo em menor velocidade, porém com menores esforços também.
Nesta retomada agora sigo orientado pela acessoria esportiva Ação Total, treino 4 vezes por semana, 3 vezes no Ibira e, aos sábados, na USP. Tudo vai muito devagar, corro em frequências muito inferiores às que praticava antes. Está mais confortável, me educa mais na passada e não há mais dores no joelho, que bom. Dia 02 de maio farei os mesmos 10K da Maratona Intern. de São Paulo, quando fiz com tempo líquido de 58:56. Mas no ritmo em que estou, acho que não farei em menos de uma hora. Espero para ver. Estou correndo em menor velocidade, porém com menores esforços também.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Corrida Sgto Gonnzaguinha
Corrida de 15Km, na Zona Norte de São Paulo, em percurso quase todo plano. Primeira vez que corri sem monitor cardíaco. Surpreendi-me com meu desempenho, tanto no tempo(1:15:27), quanto com minhas condições ao final(fisicamente ótimo, sem dores e respirando ótimo. Os "tiros" e "intervalos" na USP surtirar esses efeitos, não tenho dúvida.
Agora duvido fazer esse mesmo tempo na São Silvestre, mas esta... esta é festa, não é para se preocupar com o tempo de corrida; é correr com o tempo, não contra, como fiz na Gonzaguinha. Aliás, enquanto corria pensei no meu irmão Aelson e disse para mim mesmo "Que Srgt Gonzaguinha nada, é Srto Aelson, meu irmão!", ...a quem dedico essa minha excepcional corrida!
Agora duvido fazer esse mesmo tempo na São Silvestre, mas esta... esta é festa, não é para se preocupar com o tempo de corrida; é correr com o tempo, não contra, como fiz na Gonzaguinha. Aliás, enquanto corria pensei no meu irmão Aelson e disse para mim mesmo "Que Srgt Gonzaguinha nada, é Srto Aelson, meu irmão!", ...a quem dedico essa minha excepcional corrida!
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Treino pedreira
Hoje, 04/12/09, pela primeira vez treinei na USP. Cheguei lá às 7:00 e chuviscava. Gostei muito de aspirar aquele ar fresco, a atmosfera acadêmica ( saudade). Ainda não conheço o percurso para os longões. Precisava de uma ladeira de 200mts e escolhi a que fica em frente àGeografia e História. Foram 20 tiros com descidas caminhando. Nos três últimos achei que não conseguiria, era cansaço demais nas pernas. Mas findei e me veio enorme satisfação por me sentir inteiro. Ah, agora, além do Ibira terei o Campus da USP para treinar. Muito bom! Meus objetivos atuais de treinos visam à São Silvestre, porém dia 12 correrei a Pedestre Sgto Gonzaguinha - 15 Km. Sinto-me cada vez melhor ao correr, não sabia que gostaria tanto.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Na chuva, no asfalto, na cidade
Pela janela do oitavo andar vejo o domingo nublado e chove. Havia planejado fazer meu treino de 15Km no mesmo percurso da São Silvestre. Às 15h a chuva parou e fui depressa prá Av. Paulista, onde bastante gente já passeava. É a 2ª vez que treino no percurso: a 1ª fiz em 1:50 e hoje em 1:40. É bom, dar para se ter uma idéia sobre a prova de 31/12/09. A coisa mais importante que observo em mim ultimamente é a inconstância no ritmo e o aprimoramento de minha pisada ao buscar usar mais a metade da frente da sola dos pés. Acho que isso está interferindo na manutenção dos meus ritmos.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Samsung 10Km - Boa corrida, não o tempo final
Ontem corri nas imediações do Pq Ibirapuera, num percurso onde já corri. Achei que correria no meu melhor tempo, abaixo do último 51:19 no Circuito Caixa(15/11). Mas cada corrida é uma surpresa...
domingo, 22 de novembro de 2009
Por que este blog?
Por vezes já me fiz essa pergunta mas o receio não me deixa vir respostas. Receio de expor aqui minhas reflexões sobre a prática de correr e de que isso não me ajude no desenvolvimento dessa minha nova atividade, deixando-me a cabeça muito à frente dos pés.
Mas tenho vontade de compartilhar sobre momentos tão importantes, que só quem experimenta sabe. Por isso resolvi fazer um tipo de diário - diário público. Mesmo público - porque, creio, caiu nesta rede, é público - ele é mais para mim, prá ficar como memórias de um tempo importante na minha vida. E se algum corredor - ou curioso - quiser "conversar" com alguma idéia aqui exposta, terá retorno atencioso.
Só que esse diário é retroativo - começa em março/2009.
Sempre gostei de correr e caminhar, mas nunca o fiz com regularidade. A partir de 16 de março é que inicio treinos orientados por um profissional (Prof. Marcio Preto) com planilhas semanais - nos três 1ºs meses treinando 3 vezes por semana e depois, 4 vezes, o que mantenho atualmente.
Minha primeira corrida de 10k foi em maio, na Maratona Internacional de São Paulo. Para minha agradável surpresa tirei em 58:30 (tempo liquido)...
Mas tenho vontade de compartilhar sobre momentos tão importantes, que só quem experimenta sabe. Por isso resolvi fazer um tipo de diário - diário público. Mesmo público - porque, creio, caiu nesta rede, é público - ele é mais para mim, prá ficar como memórias de um tempo importante na minha vida. E se algum corredor - ou curioso - quiser "conversar" com alguma idéia aqui exposta, terá retorno atencioso.
Só que esse diário é retroativo - começa em março/2009.
Sempre gostei de correr e caminhar, mas nunca o fiz com regularidade. A partir de 16 de março é que inicio treinos orientados por um profissional (Prof. Marcio Preto) com planilhas semanais - nos três 1ºs meses treinando 3 vezes por semana e depois, 4 vezes, o que mantenho atualmente.
Minha primeira corrida de 10k foi em maio, na Maratona Internacional de São Paulo. Para minha agradável surpresa tirei em 58:30 (tempo liquido)...
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